Combustíveis no BrasilConfira as diversas opções de combustíveis que podem ser adquiridos nos postos e características de cada um.

Falar “posto de gasolina” não é um termo correto. Existem ao menos nove tipos diferentes de combustíveis disponíveis nos estabelecimentos no mercado brasileiro. Entenda cada produto que é oferecido e as diferenças entre eles antes de escolher um para completar seu tanque.

Gasolina

Comum – A gasolina comum encontrada nos postos de combustíveis é chamada oficialmente de Tipo C pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Além do derivado de petróleo, recebe também a adição de uma porcentagem de etanol anidro, que varia entre 20% e 25%, dependendo da determinação vigente do governo federal. Toda gasolina contém enxofre em sua composição. O metal pesado é dispersado na atmosfera após a queima e contribui para piorar a qualidade do ar. Até 2013, a quantidade desse material era de 800 partes por milhão (ppm), mas, a partir de janeiro, a ANP determina que esse nível não ultrapasse 50 ppm.

A resolução 38 de 9/12/2009 da agência, além de regular a quantidade de enxofre, também exige dos distribuidores de combustíveis que a gasolina comum contenha agentes detergentes para a manutenção da limpeza interna do motor. A ANP não exige um produto específico para tal atividade, mas a gasolina precisa passar por um teste aferido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) comprovando sua eficácia.

Aditivada – Esse tipo de combustível é composto pela gasolina Tipo C e agentes detergentes. Mas, se a gasolina comum já tem aditivos, por que você pagaria a mais pela aditivada? Porém, é preciso diferenciar “manutenção da limpeza” com “faxina” de fato. A gasolina aditivada conta com uma carga maior de detergentes, o que não só impede o acúmulo de detritos dentro do bloco, o que ocorre na atual Tipo C, como também consegue efetivamente limpar o material que já está depositado lá dentro. Essa é a principal diferença em relação à gasolina comum, pois não há ganho direto de desempenho.

O uso da gasolina aditivada também merece atenção, como indica Ricardo Bock, professor de Engenharia Automobilística da FEI (Fundação Educacional Inaciana): “Se o carro já rodou muito com combustíveis adulterados, que facilitam a formação de depósitos de sujeira no tanque e no motor, começar a usar a aditivada pode causar o desprendimento dessas camadas e ocasionar o entupimento do filtro de combustível e até a quebra da bomba de gasolina do veículo”.

Premium – A gasolina tipo premium é caracterizada pela maior octanagem em relação a do Tipo C. Assim, ela produz uma queima mais eficiente (o que não signifca necessariamente mais potência para o carro), prolonga a vida de alguns componentes do veículo e seu teor de enxofre é de 30 ppm, menor que os índices das versões comum e aditivada. Como a última, também possui agentes que limpam a parte interna motor. Porém, é a mais cara de todas. Confira aqui se vale a pena investir na gasolina premium.

Etanol

Comum – Derivado da fermentação da cana-de-açúcar, o etanol encontrado nos postos é do tipo hidratado, pois, em forma pura, não provê lubrificação satisfatória dos componentes internos do motor como a gasolina.

Aditivado – Assim como no caso da gasolina aditivada, o etanol também pode receber agentes para atuar na limpeza dos componentes internos do motor. Aqui também vale ter atenção no uso do combustível vegetal com aditivos de limpeza, como na gasolina.

Diesel

Um veículo só pode ser rodar com diesel no Brasil se puder carregar ao menos 3.500 kg de carga total, se for caracterizado como ônibus ou ainda se possuir sistema de tração 4×4 com caixa de redução, conforme manda o Contran (Conselho Nacional de Trânsito).

S-10 – O diesel S-10 é o combustível mais recente a entrar nos postos, pois a ANP determinou no final de 2013 (Resolução 50 de 23/12/2013) a sua obrigatoriedade nos estabelecimentos. O seu nome vem da quantidade de enxofre, de 10 ppm. Por ser menos poluente, o S-10 é encontrado nos postos de regiões metropolitanas e é obrigatório para ônibus de linhas municipais e intermunicipais. Esse tipo de diesel também recebe 5% de adição de biodiesel, de origem vegetal.

S-500 – Por ser mais poluente, o diesel com 500 ppm de enxofre está caindo em desuso nas capitais e é encontrado em postos rodoviários ou em cidades afastadas dos grandes centros. Mesmo assim, também recebe a adição de 5% de biodiesel.

Aditivados – O diesel aditivado recebe diversos nomes comerciais e pode atuar de maneiras diferentes, como explica Eduardo Polati, sócio-proprietário da consultoria para pesquisa e desenvolvimento de componentes automotivos Power Burst: “Esse tipo de combustível pode ter agentes de limpeza, desaguantes (para retirar a umidade), antiespumantes (para diminuir o tempo de abastecimento e aumentar o volume que entra no tanque) ou podem até aumentar o nível de cetano, o que melhora a combustão e reduz as emissões de poluentes”. Então, antes de pagar a mais no diesel aditivado, pergunte no posto qual é o aditivo usado.

Gás Natural Veicular

Sem aditivos ou variações, o Gás Natural Veicular (GNV) é o combustível mais puro encontrado nas bombas dos postos e é também o mais em conta. Ele é encontrado acumulado nas mesmas jazidas de onde já se extrai o petróleo. É então encanado e distribuído diretamente para os postos, dificultando a adulteração.

Para rodar com gás (GNV) o veículo precisa ter saído de fábrica preparado ou ser inspecionado pelo InMetro (Instituto Nacional de Metrologia) anualmente, no caso de adaptações. “Em tese, o posto pode até se recusar a abastecer um veículo com GNV caso essas condições não sejam atendidas, pois o sistema de gás do carro trabalha com pressão muito alta e uma adaptação mal feita pode afetar a segurança das pessoas em volta”, revela Polati.

O que você não encontra no posto ou, ao menos, não deveria…

Combustível adulterado – “No Brasil, temos vários tipos de gasolina: comum, aditivada, adulterada…”, brinca Ricardo Bock, mas é uma realidade que os motoristas precisam enfrentar na hora de abastecer. Desconfie de preços muito baixos e as suspeitas de adulteração podem ser denunciadas diretamente à ANP pelo telefone 0800-970-0267. O principal indício de que o carro está rodando com combustível “batizado” são falhas e engasgos no funcionamento no motor, além de consumo elevado.

Segundo o professor da FEI a gasolina é mais propícia a sofrer adulteração, pois “(os postos) usam solventes mais baratos para baixar o preço ou lucrar mais e esses componentes diluem o óleo do motor, o que facilita o acumulo de sujeira. Como o etanol é mais barato, o uso de solvente acaba encarecendo o produto final”.

Gasolina pura – A gasolina pura que sai das refinarias, Tipo A, não é oferecida ao público em razão da legislação, que exige a adição de etanol posteriormente.

Etanol anidro – O etanol anidro (puro) só é comercializado para fins de adição na gasolina Tipo A, formando assim a gasolina comum Tipo C encontrada nos postos.

Fonte: Mídia News