Bebo, não nego. Dirijo quando puder


beber

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ando meio cansada. De tudo. Mas principalmente cansada de ouvir absurdos e cansada de tentar mudar a opinião de gente que simplesmente não quer escutar.

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi as pessoas dizerem: beber e não dirigir? Ah isso é só para os fracos, aqueles que não sabem se controlar na bebida, isso vale para quem toma um gole e já fica mal. Comigo não acontece nada, imagine. Eu posso tomar quanto for que continuo bem. Não acho que um “copinho” vai fazer diferença. Ah uma taça de vinho só não dá nada. Toda vida bebi e dirigi e olha aqui: tô bem!

Ah meus leitores. Vão me dizer que nunca ouviram isso, ou mesmo já até falaram isso? Porque vocês sabem né, aquela velha história, comigo não, nunca vai acontecer, só com os outros, os fracos.

O que me surpreende é que apesar de tantas campanhas, lei, pesquisas, informação, ainda assim hoje escuto que beber e não poder dirigir é um exagero.

Em vigor desde 2008 com o objetivo de reduzir os acidentes provocados por motoristas embriagados no Brasil, a Lei Seca foi alterada em 2012, quando a multa passou a ser de R$ 1.915,40 e, em caso de reincidência dentro de um ano, R$ 3.830,80. Além disso, vídeos, fotos, sinais e comportamentos que, segundo a polícia, demonstrem embriaguez também passaram a servir como prova, além do bafômetro.

Os números mostram os efeitos da lei no trânsito brasileiro. Segundo um levantamento do Ministério da Saúde, na comparação entre o primeiro e o segundo semestre de 2008, que compreende seis meses antes e seis meses depois da Lei Seca ser aplicada, o Brasil apresentou uma redução de 459 óbitos – queda de 14%. De acordo com a pesquisa Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2014, do Ministério da Saúde, após o endurecimento da Lei Seca em 2012, caiu em 16% o índice de adultos que admitem beber e dirigir entre 2012 e 2014 nas capitais do país.

Vejam, existem alguns motivos pelos quais eu insisto em dizer que beber e dirigir é uma ação de completa irresponsabilidade. Daí me chamam de careta, mas tudo bem.

Informações do Centro Regional de Estudos, Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos (CENPRE) revelam que as lesões orgânicas causadas pelo álcool são variadas, indo desde a cirrose hepática, passando pela avitaminose, a desnutrição, as neurites (inflamação dos nervos) até às psicoses.

Além disso, outras consequências do álcool são:

Sistema nervoso: Demência alcoólica, degenerações, neurites periféricas e lesões cerebrais, alucinações.

Efeitos cardiovasculares: Anemias, insuficiência cardíaca e circulatória.

Efeitos sobre o trato digestivo: Gastrites agudas, úlceras gástricas, síndrome da má absorção.

Efeitos sobre as glândulas anexas do trato digestivo: Fígado: cirrose, hepatite aguda e degeneração gordurosa.

Pâncreas: pancreatite.

São inúmeros os acidentes registrados em função do consumo de bebidas alcóolicas e justamente por isso, motoristas, levanto a bandeira para esse cenário nada tranquilo e nada favorável de óbitos e feridos no trânsito.

Beber sim. Não é proibido, aliás é um dos prazeres dos brasileiros. O fato é como beber e o que não fazer depois disso.

Por um mundo com mais responsabilidade no trânsito. Mudar é contagioso!

Até a próxima.

*Artigo de Talita Inaba que é jornalista e colaboradora do Portal do Trânsito

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